Stiletto Moody e a experiência de consumo



Bonjour, leitor@s!

Aproveitando o artigo de Michely Blogger sobre Moody, gostaria de tecer alguns comentários sobre minha primeira experiência numa liquidação da marca. Peço desculpas antecipadas pela pouca qualidade técnica de algumas imagens. Por favor pensem nelas como um registro documental apenas!

Bem, meu primeiro contato com Stiletto Moody foi logo após o meu rez day. Ainda morava na minha Linden home, mas estava procurando apartamento para alugar em NY. Na procura, visitando o sim, vi uma moça super bem arrumada que lá vivia e, como sou uma leitora compulsiva de profiles, fui dar uma espiada. Lá estava “Stiletto Moody Shoes” nos grupos da futura vizinha. Curiosa, teleportei no sim... que estava em plena liquidação!

Nunca vi tanto avatar num mesmo espaço!


De tão cheio nem consegui entrar na primeira tentativa... nem na segunda, quinta, décima. Tentava o TP e era remetida de volta pra minha minúscula Linden home:



Ainda totalmente noob, sem familiaridade com as marcas do SL e com os preços das marcas do SL, tudo me impressionou...
Os preços estratosféricos:




A quantidade de mulheres paradas, voando e empilhadas na loja:




O avatar da/do (saiu do armário essa semana, inclusive no Facebook, após o artigo da Forbes!) Moody, que, tão cheio de acessórios que era, não carregava nunca:

E a qualidade e detalhes dos sapatos, que possuem menu para trocar as cores das unhas dos pés, acrescentar acessórios como tatuagens, tornozeleiras e anéis, e até escolher que tipo de barulho o sapato deverá fazer quando você caminhar (piso de madeira ou pedra?).


Por falar em detalhes, o pequeno coração no solado dos sapatos é uma inteligente estratégia da marca. Já que no SL não dá pra supor que um sapato será comprado por suas propriedades materiais, capazes de proporcionar conforto ao usuário, o que importa é o design e a distinção proporcionada por uma marca sabidamente cara. Com o coraçãozinho no solado sempre à mostra, quando o avatar usa o sapato da marca essa distinção está garantida. Todo mundo vê que aquele sapato que está sendo usado é da Moody, não apenas os mais familiarizados com a loja, capazes de distinguir pelos modelos.


Essa interpretação não é apenas fruto da minha imaginação. Certa vez, dançando em um club de jazz, vi um avatar homem comentar no chat aberto para uma avatar mulher desconhecida “Garota, assim você me mata, com esse seu vestido vermelho e saltos da Moody”.

Mas é claro que a experiência de consumo, no SL ou fora dele, não está restrita apenas ao status e distinção que os bens possibilitam. O prazer estético e aquilo que um autor chamado Colin Campbell chama de “prazer imaginativo do consumidor moderno” não podem ser deixados de lado. O cuidado dedicado à elaboração das caixas onde os sapatos estão embalados e dos kits de upgrade (sim, é possível comprar upgrades para ter mais cores de esmalte e mais acessórios), sob forma de mesinhas, são um exemplo de como a marca busca contemplar essa dimensão.


As caixas e mesinhas de upgrade não tem nenhuma utilidade, provavelmente serão deletadas ou guardadas num canto qualquer do inventário, mas seu objetivo é fornecer “material de sonho”, fazendo uso das palavras de Campbell, e prazer estético.


Fiquei tão curiosa com a marca que fui espiar o website deles. Lá, um outro estranhamento engraçado aconteceu. Eles fornecem uma série de dicas sobre como customizar a cor da pele dos sapatos BARE para que combinem com sua skin. Uma das “perguntas freqüentes” lá respondidas era “Eu sei meus números RGB. Como posso inseri-los nos sapatos?” Eu ainda era totalmente noob, não havia naturalizado essa prática do SL de adicionar partes do corpo ao avatar: um pé aqui, unhas de prim ali, genitais acolá. Só os genitais, por sinal, renderiam um artigo inteiro... em breve, quem sabe! Alguém ter seu próprio número RGB soava tão ciborgue... mas um avatar realmente tem um número RGB para sua pele, assim como na RL temos um tamanho de manequim ou de sapatos.

Seja por pura “noobez” ou não, só sei que uma expressão como “MEUS NÚMEROS RGB” me impressionou, e ainda me impressiona. Na realidade, se realmente quiser continuar tentando compreender o SL como antropóloga, precisarei manter essa capacidade de estranhamento, achando tudo curioso, diferente. Prim-corpo experiente, mas alma noob forever!

Postado por Ruth Latour
( Essa é uma postagem de 03/11/10 da avatar Ruth Latour postada na Toxx News, achei bacana relembrar)

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